10.05.2017

A vida em um like... curta e compartilhe!

Se a gente gosta um pouco, dá um “curtir”. Se a gente gosta um pouco mais, “reage”. Se a gente acha muito bom, “compartilha”. Se a gente acha interessante, a gente “salva para ler depois”. Se a gente acha atraente, vai lá e dá um “match”. Se a gente não gosta, com dois cliques se “desfaz a amizade”. Tudo assim, fácil e nas pontas dos dedos.

Se a gente quer recordar do momento, a gente tira uma selfie. E se a comida parece boa e o restaurante é chique, não pode comer até uma foto ficar tão suculenta quanto o prato. A gente não liga mais o rádio, porque tem comercial e já pagamos para não ouvir comerciais nos streamings.

A gente não gasta saliva, manda um whatsapp. Faz um facetime. A gente sai de casa para a foto perfeita e volta como se não tivesse saído. A gente faz uma pose e diz que foi um momento espontâneo e descontraído.

Mas a verdade é que a gente só sabe viver assim. Nossa memória é tão curta quanto o próximo “viral”. Vivemos nos filtros e nos retoques. Dependentes de curtidas e de visibilidade. Dependentes da aceitação externa, porque a gente mede a nossa aceitação interna a partir do número de "notificações" que tivemos.

Somos vazios, nos expomos procurando por aprovação, para quem sabe assim termos amor-próprio e preenchermos um pouco da nossa carência efetiva.

A gente não sabe mais respeitar, porque a gente não sabe viver com as diferenças, tudo é feito sob medida, somos todos – dentro de suas singularidades – iguais. Vivemos no automático. Passivos e sem criticidade. E quando nos damos conta, somos apenas mais um na multidão.

A vida é mais do que um “like”. A vida está aí para ser mais do que vivida, não precisamos ter uma existência "viralizada", só não podemos deixar para “ler depois” até ser tarde demais.

Vamos utilizar as mesmas palavras com melhores definições: Curtir e Compartilhar... a vida com aqueles que nos importam, “desconectados” até nos conectarmos. Off line.

9.06.2017

... eterna


Você havia imaginado que viveria quase 100 anos?
Vivendo, este quase um século, sã e lúcida?
Como foi ver todos ao seu redor esvaecerem?
O que você acredita que emanou para o mundo?
Quais conhecimentos compartilhou?

Eu não te perguntei, desculpe-me por isso.
E por mais que 96 anos pareçam muito, nós não tivemos tempo.
Porque eu, em minha ignorância juvenil, achei que você era imortal.
E acho, no íntimo, que até você acreditava nisso.

9.02.2017

“Você é Carolina ou RH?”

Já ouvi inúmeras vezes brincadeiras sobre a profissão de amigos e a minha, eu, por exemplo, quase todos os dias ouço no almoço ou em algum happy hour: “o RH chegou”, “você é Carolina ou RH?”, ou “não sabia que nutricionista comia hambúrguer”, “não vou cantar em inglês perto de você, não quero passar vergonha” ou, a máxima que todo psicólogo já ouviu, “cuidado com o que fala que ela deve estar te analisando”. Enfim, a partir de tantos exemplos, comecei a refletir o porquê destas piadinhas...
A língua portuguesa tem um jeito peculiar de nos definir o tempo todo, nós “somos” muito mais do que “estamos”, diferente da língua inglesa que “I am” pode significar ser ou estar, em português dizemos, por exemplo, “eu sou profissão x” e, embora, tenhamos estudado muito para nos tornarmos profissionais qualificados e certificados, a profissão não deveria definir um estado absoluto ou quem eu sou, mesmo tendo competências e habilidades que me façam psicóloga e não física, neste minuto entendo que “eu estou psicóloga”.
Por que essa diferenciação é importante? Porque assim as pessoas teriam mais facilidade em diferenciar a nossa vasta possibilidade de ser e estar, em diferentes contextos e derrubar possíveis limites impostos. Questiono-me bastante acerca a visão que as pessoas têm sobre todos os profissionais, como podemos mudar esta percepção, que pode ser uma ideia errônea e mal interpretada (ou não).

 E, antes de mais nada, lembrar que somos todos humanos antes de qualquer recurso. 

8.16.2017

Coadjuvante

Sinto falta do fervor dos devaneios.
Do ócio criativo, das interjeições.
Sinto falta do divagar, do antagonismo.
Uma mera folha em branco ambulante.
Um pedaço de papel amassado na lixeira.
Sem flexionar, eu não existo em mim.
Deixo de ser substantivo próprio.
Transformo-me em comum.

4.24.2017

Com ciência

O fundo do oceano nos presenteia com o fantasmagórico, em seu interior cores vivas e o breu se misturam, se confundem... tornam-se uma pintura surrealista colossal.
Não se sabe os segredos que as gélidas e densas águas abrigam, são quilômetros e quilômetros de mistérios, de desconhecido.
Sabe-se que há vida: monstros e seres inimagináveis que não sobrevivem à superfície, biodiversidade que surge a partir da privação, de um ambiente inóspito e inadequado.
Outrossim, há espécies que iluminam sua existência e ao seu redor, demudados para resistir à opacidade e à falta de incidência de luz das planícies abissais.
Nas profundezas soturnas do oceano, existem criaturas assustadoras e surpreendentes que esquivam do fulgor da humanidade, teme-se seu despertar. Ausentes em sua presença, perpetuam.